sexta-feira, 5 de março de 2010

Sem nexo, anexo e complexo.

Simplesmente você debandou e caiu.
Que nem um saca rolha.

Cachoeiras dormem ao te ver,
Casacos que não sabem nem quem esquentar.

E que pena os bois não chegam as nuvens.
Talvez assim você gostasse de sorvete.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Liz cap.4

E então se pergunta se tudo aquilo que cuspia barulhos sem parar eram sua real vida,
pertubou-se em achar que sentia falta do que a incomodava.
Estava bem, mas sentia falta.
Nada ali parecia com algo, não havia natureza, nem concreto.
Não havia nada, apenas mutações inconclusivas.
E passados tempos em simples vazio de consciência, sente algo deslizando,
caindo sobre seu corpo.
São milhares de papéis brancos praticamente cobrindo tudo que há em volta.
Olha pra sua referência do que seja em cima, de onde normalmente coisas caem e conclui que não há algo emanando essa enchurrada de lâminas brancas,
elas veem de toda parte.
Um mundo é um pergaminho branco agora, um tábula rasa de Locke.


Fazer sentido é fazer ser agora.

A rotina da mão é o toque.

A rotina da mão é o toque
E o afastar-se é algo incompreensível.

Certamente isso também sou,
Além de um clássico clichê
E uma pitada de fervor.

Nem mais clara consigo ser.
As águas não mais se refletem,
Os raios voltam sem se ver.

Sem esquentar o fundo
o dentro, o canto.
Acumulando-se, no entanto.

E nessa escuridão,
Só quem pode contra mim
Sou eu mesma.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O dia que você morreu.

só meu cílios sabem o quanto se tocaram
só minhas ancas sabem o que sentiram
só meus dedos sabem o que pressionaram
só eles sabem do que sentirão falta.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A mim mesma.

Cada algo que via podia ser você.

Meus olhos procuravam incessantemente
e descontroladamente.
A cerveja caía como uma pedra,
víceras sendo rasgadas,
suor derramado pelo desencontro.

Até que eu pequei pelo desconhecimento,
pela inanição da razão.
Lá se foram as desculpas.
Viver se tornou necessidade.

E que esculpam narcisos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

vésp-era.

Cada dia é uma lágrima.
Cada piscar tem um sentido.
Cada sorriso, um dono.
Cada jogar-se, um chão.

Me encerro de novo no asfalto
Como nos velhos tempos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Without you, I fall asleep.

Sem você, eu adormeço.
Não há mais nada o que fazer a não ser sonhar.
Talvez você esteje sugando minha vida real,
E eu deixei tudo andar como se tivessemos apenas dois pés.

E assim tem sido.

Dois pés e uma só estrada
Sobre os cacos de um vidro quebrado,
Sobre as pedras flamejantes,
Sobre todo o ar que respiramos.

Eu já sinto meu corpo escorregando pelo seu.
Escorrendo o arco-íris cravado em meu peito,
Negando toda a laceração,
Não tendo escolha.

Talvez eu tenha que aprender a cortar os solados,
E ainda sorrir como uma Barbie.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Montanha-russa.

Lembre-se de que não gosto de montanhas-russas.

Não quero esperar vir a queda,
Não quero não saber até onde vai,
Não quero perder a sensação.

Pisar o chão.