domingo, 4 de abril de 2010

Dîner en Ville

Eu sinto o sofejar de aromas no brilho dos seus olhos. Caminho até eles. Não estão ali pra mim, são seletivos, até torturantes. Aprisionado em cápsulas sépias que servem ao seu próprio propósito e se calam quanto ao lugar da chave. Às vezes sente-se um brisa de janelas abertas, acurtinadas. Criam pontes com postes iluminados atravessando o portal dourado, transcendendo o aqui e ali. Está na fluidez do cosmo. E assim, é praticamente impossível ver-te o tempo todo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Drão

De elatérios pulou-se o que hoje chamamos de amor.

As folhas nascem em báculo apertado que, não incomumente, se sufocam. São poucas camadas de células, frágeis como grãos de pólen lançados ao ar. O que mais importa são os estróbilos, a força da união de coisas tão insignificantes para formar o universalmente significante.

Porque, se há algo significante nesse mundo, é a semente.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sem nexo, anexo e complexo.

Simplesmente você debandou e caiu.
Que nem um saca rolha.

Cachoeiras dormem ao te ver,
Casacos que não sabem nem quem esquentar.

E que pena os bois não chegam as nuvens.
Talvez assim você gostasse de sorvete.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Liz cap.4

E então se pergunta se tudo aquilo que cuspia barulhos sem parar eram sua real vida,
pertubou-se em achar que sentia falta do que a incomodava.
Estava bem, mas sentia falta.
Nada ali parecia com algo, não havia natureza, nem concreto.
Não havia nada, apenas mutações inconclusivas.
E passados tempos em simples vazio de consciência, sente algo deslizando,
caindo sobre seu corpo.
São milhares de papéis brancos praticamente cobrindo tudo que há em volta.
Olha pra sua referência do que seja em cima, de onde normalmente coisas caem e conclui que não há algo emanando essa enchurrada de lâminas brancas,
elas veem de toda parte.
Um mundo é um pergaminho branco agora, um tábula rasa de Locke.


Fazer sentido é fazer ser agora.

A rotina da mão é o toque.

A rotina da mão é o toque
E o afastar-se é algo incompreensível.

Certamente isso também sou,
Além de um clássico clichê
E uma pitada de fervor.

Nem mais clara consigo ser.
As águas não mais se refletem,
Os raios voltam sem se ver.

Sem esquentar o fundo
o dentro, o canto.
Acumulando-se, no entanto.

E nessa escuridão,
Só quem pode contra mim
Sou eu mesma.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O dia que você morreu.

só meu cílios sabem o quanto se tocaram
só minhas ancas sabem o que sentiram
só meus dedos sabem o que pressionaram
só eles sabem do que sentirão falta.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A mim mesma.

Cada algo que via podia ser você.

Meus olhos procuravam incessantemente
e descontroladamente.
A cerveja caía como uma pedra,
víceras sendo rasgadas,
suor derramado pelo desencontro.

Até que eu pequei pelo desconhecimento,
pela inanição da razão.
Lá se foram as desculpas.
Viver se tornou necessidade.

E que esculpam narcisos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

vésp-era.

Cada dia é uma lágrima.
Cada piscar tem um sentido.
Cada sorriso, um dono.
Cada jogar-se, um chão.

Me encerro de novo no asfalto
Como nos velhos tempos.