domingo, 9 de maio de 2010

Só Vinícius.

E ela me olhou e disse tudo dela.
Tirou todas as cordas que a amarravam,
Largou-se no abismo.

E eu estava ali do lado,
Segurando sua mão,
Sentindo tudo que eu estava fazendo.

Porque, mesmo que não tivesse sido intencional,
Quando a primeira palavra saiu daquela menina,
Tudo mudou de cor.

E era um arco-íris totalmente novo.
Um brilho incrível que não se vê em qualquer um.

E não posso negar meu medo,
Nem minha excitação.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nesses tempos de chuva.

A chuva mata e
o amor encharca.

Eram tempos tão bons
que sempre resolvem evaporar.

Mas que chova de novo!

Novos grãos renascem
Velhas árvores morrem
E os genes sempre ficam,
Você bem sabe.

Só desejaria que deleções ocorrecem com mais frequência na raça humana.

Criamos tantos mecanismos de defesa
Que impedem a nós mesmos transmutar-mos,
Nos jogarmos do penhasco
que nem a chuva.

E morrer, por quê não?

domingo, 4 de abril de 2010

Dîner en Ville

Eu sinto o sofejar de aromas no brilho dos seus olhos. Caminho até eles. Não estão ali pra mim, são seletivos, até torturantes. Aprisionado em cápsulas sépias que servem ao seu próprio propósito e se calam quanto ao lugar da chave. Às vezes sente-se um brisa de janelas abertas, acurtinadas. Criam pontes com postes iluminados atravessando o portal dourado, transcendendo o aqui e ali. Está na fluidez do cosmo. E assim, é praticamente impossível ver-te o tempo todo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Drão

De elatérios pulou-se o que hoje chamamos de amor.

As folhas nascem em báculo apertado que, não incomumente, se sufocam. São poucas camadas de células, frágeis como grãos de pólen lançados ao ar. O que mais importa são os estróbilos, a força da união de coisas tão insignificantes para formar o universalmente significante.

Porque, se há algo significante nesse mundo, é a semente.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sem nexo, anexo e complexo.

Simplesmente você debandou e caiu.
Que nem um saca rolha.

Cachoeiras dormem ao te ver,
Casacos que não sabem nem quem esquentar.

E que pena os bois não chegam as nuvens.
Talvez assim você gostasse de sorvete.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Liz cap.4

E então se pergunta se tudo aquilo que cuspia barulhos sem parar eram sua real vida,
pertubou-se em achar que sentia falta do que a incomodava.
Estava bem, mas sentia falta.
Nada ali parecia com algo, não havia natureza, nem concreto.
Não havia nada, apenas mutações inconclusivas.
E passados tempos em simples vazio de consciência, sente algo deslizando,
caindo sobre seu corpo.
São milhares de papéis brancos praticamente cobrindo tudo que há em volta.
Olha pra sua referência do que seja em cima, de onde normalmente coisas caem e conclui que não há algo emanando essa enchurrada de lâminas brancas,
elas veem de toda parte.
Um mundo é um pergaminho branco agora, um tábula rasa de Locke.


Fazer sentido é fazer ser agora.

A rotina da mão é o toque.

A rotina da mão é o toque
E o afastar-se é algo incompreensível.

Certamente isso também sou,
Além de um clássico clichê
E uma pitada de fervor.

Nem mais clara consigo ser.
As águas não mais se refletem,
Os raios voltam sem se ver.

Sem esquentar o fundo
o dentro, o canto.
Acumulando-se, no entanto.

E nessa escuridão,
Só quem pode contra mim
Sou eu mesma.

domingo, 31 de janeiro de 2010

O dia que você morreu.

só meu cílios sabem o quanto se tocaram
só minhas ancas sabem o que sentiram
só meus dedos sabem o que pressionaram
só eles sabem do que sentirão falta.