quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Era pele, agora flor.

E a mesma flor que agora está mais forte e macia,
se depara com um espelho que não é dela,
com uma casca que não lhe cabe.

Resolve soltar-se do que a protegia,
protegia,
mas não era ela,
não conseguia viver sem sentir a luz diretamente nas papilas.

Acaba se queimando.

Mas isso já aconteceu tantas vezes.
A cegueira momentânea não se compara à cor.
À vida.

Sorri,
e não quer pensar nos tempos de seca.

sábado, 21 de março de 2009

Menos, tá?

De risca de giz
melo teu chão de madeira.
Eu sei que voce queria ver bolhas de sabão caindo do teto,
mas meu cabelo é assim:
reflete muito.

domingo, 28 de dezembro de 2008

A Flor da Pele.

E da intensidade de tudo
á flor da pele estou,
Nós estamos.

Vivendo num limiar entre a explosão e o equilibrio,
Caindo no abismo dos teus, e nossos abraços.
E de uma mar de lágrimas criado,
posso até atravessá-lo com meus passos.

E desta flor,
as pétalas macias,
frágeis,
prontas para um acariciar infinito,
caem.

Mas não.
Não é assim que a noite acaba.
Parece estar pronta para o que virá,
e produz novas pétalas,
mais macias,
menos frágeis.

Amadureça,
mas não apodreça.

domingo, 23 de novembro de 2008

sim.

Despedindo-me do adolescer
Tenho uma triste constatação:
Todos os heróis estão mortos,
Ou estão para morrer.


Como qualquer um.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Salvador, 31 de outubro de 2008.

Eram seis e vinte.
No meu e no seu relógio.
Também, o mesmo horário marcava o relógio parado na minha frente.
E o que será que fez eu olhá-lo a este instante?
Talvez agora você esteja pensando em mim,
talvez quem tirou essa foto tenha tremido no disparo, sem nem saber que proveria isso,
uma ligação de sentimentos.
Talvez até a mosca que pousa agora no monocromático papel esteja tremendo, porque eu estou.
Quantas vezes eu estive na iminência de derramar lágrimas estes dias?
Acho que a rosa não aguenta mais estar em botão.
Precisa sentir o vento.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

uma Morte.

Hoje mais um filho, que não tive, foi morto.
Cruel pensar que sinto-me feliz pela morte de um ser fluido.
E é fluido, porque existe da dúvida de existir. Na falta de certeza é, pois o pior é sempre aclamado e, hipoteticamente, destruí-lo é destruir o resto na crença da plenitude do horror.
Sabotamos a nós mesmos quando desacreditamos na possibilidade do "dar certo" e criamos o oposto, porque não viveríamos sem pelo que lutar, sem muros para pular.
Hoje mato mais um filho que não tive.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Meus; e seus?

As lágrimas caem, sem controle.
Mordo o lápis nº2 para guardar meu soluço.
Minhas mãos tendem a caminhar, sem direção.
Primeiro nervosas pelos nós das minhas ondas,
depois se encontar no ar como um casal apaixonado,
e se amassam, sem saída.
Meu olhar assiste, sem comando.
Minha cabeça está pendurada,
esperando decaptação,
sem escolha.

Os sentimentos explodem,
não consigo contê-los.
São meus.

O que será que será?

domingo, 14 de setembro de 2008

A tarde vai.

Com o tempo, o sol ia despedindo-se
E junto, os raios de luz.
Era mais fácil agora enchergar por dentro,
sentir as verdadeiras vibrações.

O medo foi tão forte
que sentia um arrepio de se olhar.
Segurava com tamanha força a carne que aproximava-se
com medo do evaporar, do tornar-se fluido.

E enfim, as palavras.
Aquelas que tanto tempo ficaram cortando sua garganta por dentro,
que engalfinhavam-se na tentativa da saída.
Elas. Elas mesmas.

O poder da pronúcia leva a uma destruição de defesas.
Mas não pense nelas.
Viver defendendo-se não te dá o direito de sentir.
E só o que precisa é sentir.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Nem o horizonte é mais importante.

E quando o sol chegar
aonde tantos quiseram,
E quando isso tornar-se cotidiano
e já é,
Eu encontrarei o equilíbrio,
a sustentação da pirâmide invertida
Meu porto seguro.

E quando o sol não mais importar
E quando nosso ser
for maior do que a luz
Eu estarei aqui,
e estou.