segunda-feira, 28 de março de 2011

Nostalgia de maio afogada

De cada pé do estômago sai um braço seu,
de cada cortina abandonada.

Seu olhar é um voo interrompido
que de tão forte cai no chão maltratada.

De jejum em jejuno,
eu continuo é com fome.

sábado, 12 de março de 2011

Água-benta

E que esse ser divino, seja ele quem for,
abençoe essa minha falta de continuidade literal.

Isso não me sai da cabeça

Cada parte de tudo que eu sou nasce de uma simples chama de verdade.
Cada ato impensado, cada nota desafinada.

Cair no precipício de todos esses seus olhos vigilantes,
Não faz parte do meu direito de escolha.

Queimar segue necessidades,
Todas elas tão expostas e dispostas
Nesse seu cantar interminável.

Notas são como combustível.

Num surrealismo moderno,
Flamejo com seu canto,
Combustível de minha verdade.

Que já se pôs tanto a encher
e esvaziar,
Às vezes até secar.

Quer sentir o ninho pronto,
pra esquentar
e incendiar.

quinta-feira, 3 de março de 2011

É tarde, e quero descansar.

E a dificuldade de abandonar as coisas simples que são abafadas pelos nossos velhos hábitos?
Nos prendemos a cláusulas torturantes,
Criamos rótulos que não nos traduzem.

Caímos no abismo de nós mesmos,
Nas armadilhas que iscamos,
Num mar de nossas próprias lágrimas.

São círculos que eu já sei que existem,
Mas que deveriam ser belos,
Se transformarem em espirais
E circundar todos de coisas boas.

E ser piegas é preciso quando se deixou de querer o bem de tudo que faz parte do viver.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fazenda ferruada

Sou levada a te dizer que o que há é verdade ferrenha,
É escolha certa,
É caminho já traçado.

Mudar de rumo é destino de pedra, de planta.

Vá colocando seus tijolos amarelos
Que a gente conversa nas encruzilhadas do penar.
E eu vou te procurar com certeza,
Quando meu boi precisar do teu pasto pra passear.

Se assim será,
Será muito mais simples.

E com nata.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Curto lamento de campo.

E é aí que me vejo calada, sem porte, sem casa.
Quando você vem e me olha e me lembra de tudo que não pode ser mais.

Podia só deixar de ser?
Pra que me lembrar dos dias enclausurados
que foram belos e agustiantes ao mesmo tempo?

Talvez prefira ser casca calada,
que se guarda por não poder dizer.

Escolhas são para os que não tem sede.

eu


sou a mosca
que pousou em sua sopa.















Foto: André Mendonça e Abílio Bandeira

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Viajo porque preciso.

É por isso que viajo.
Pra me perder de mim,
Pra ocupar os cacos que pairam no meu pensar,
Pra não deixar você de vez sumir ou mudar.
Simplesmente fica lá,
Guardado e intacto.

Pois cada mundo que conheço
me desvia de você,
de vocês.
Me faz mais pedra
E você mais perpétuo.

Que nem os sonhos que nunca dão certo.
Que nem o tempo que nunca se ajusta pra nós.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Terremoto de nuvens.

E tudo que de novo há,
De novo desmorona.
E cada pedaço de estrela que colhi do teu mar,
Eu penso em perder as pernas.

Nada existe sem ligações,
sem fibrilações,
sem postes, alôs e fios embaraçados.

E a mim não haveria de ser diferente.
Sem ar não me preencho
Sem arranha-céus,
Sem zeppelins e cabines lotadas.

E por que haveria de mim tanto querer?
Só sei que quero muito
Viajar num raio
Seja de lá ou de cá.