sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O que há é imenso.

Por mais que eu tente,
Não consigo me fazer entender.

Não há como fluir o mar aberto que existe dentro de mim,
Não há como fazê-lo escorrer.

E que alguém mude minha opinião!

Me façam ver que há como,
Que há maneira de encher olhos com reflexos reluzentes,
De esquentar mãos e corações gelados,
De fazer falar os descontentes.

Preciso de saídas,
De curvas,
De alta velocidade.
Preciso de um acidente
Que se faça enxergar.
Preciso de dignidade.

E que venha de todos os lados,
Que caia do céu
Deslocando o arco-íris
E descolando estrelas.

Que faça um boom de cores,
Dentro e fora de mim.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

15/06/10 - 00:03

Me seguro,
Desfarço,
Faço o que posso,
Mas é impossivel sobreviver a esse baú
Que me prende a sete chaves,
Cujos cadeados estão jogados fora.

Uma prisão tão fraca como uma poça de água na mão
E tão forte como uma camisa de força.

Num caçado abandonado pelos desgastes do tempo
Que não cria, destroe.
Empoeira tudo,
Deixa o tesouro acuado, sem brilho,
Talvez encrustado de corais
Depois de um mergulho longo por águas profundas e pertubadoras.

domingo, 20 de junho de 2010

Sabonete redondo.

Você não sabe quantas vezes quis voltar,
Quis me prender,
Te prender aquele velho hábito de deixar contas a pagar,
Mas agora eu sei as consequências disso tudo,
Sei o quanto dói,
Sei o quanto não é justo.

Sei o quanto nunca é justo.

O problema não são os outros,
É o quanto quero abraçar o mundo pra mim,
Tento tanto que talvez isso faça meus braços mais escorregadios pelo suor do esforço,
Nada fica,
Nada nunca vai ficar.

eu tenho que entender isso.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Baião de dois anos.

Eu não sei mais quem é você,
Já foi alecrim dourado
E agora se afasta do mundo assim
Que nem espaçonave que não quer voltar.

Me fala dos sorrisos,
Me prende nas nostalgias
E depois me larga no buraco negro.
Que nem estrela explodida.

Diz que vai pra bem longe
E não sabe se vai voltar.
E eu de brincar a ir junto
Te pego a rejeitar.

Você, que de tão antigo,
Sabe me prender a tudo,
E que de tão Direito,
Não consegue um só julgamento.


Anos não são nada quando já se passaram tantos segundos que não me olha

nos olhos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

sem flor.

Cada passo que eu dou é um estrondo,
Pedaços aleatórios de asfalto ascendem ao meu redor,
É como uma câmera lenta assustadoramente mortífera.

Tudo apavora, mas não machuca,
Ao contrário,
Passa uma segurança aureola ao redor de mim.

O sol racha lá fora,
Mas seus raios não passam pelos meus fragmentos,
Que se tornam meus a partir do momento que me protegem,
Que fingem que me protegem.

E sem luz solar
A flor murcha,
O chão desaba,
O coração para,
E o passo acaba.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Not yet.

Eu não sei até que ponto você entende o que eu quero,
e sinceramente,
agora não estou preocupada com isso.

Ainda sigo meu instinto sincero
e por mais que os frutos dele
não sejam todos de uma ótima safra,
são, ao menos, honestos.

Ainda caminho,
ainda sinto que tudo não mudou,
o mundo continua cinza
e não sei mais se acredito em minhas predições.

Ainda busco tudo,
ainda acho assustador encontrar,
todas as tentativas foram falhas
e resido continuamente no não saber.



Quando acho que achei,
achei sempre errado.

domingo, 9 de maio de 2010

Só Vinícius.

E ela me olhou e disse tudo dela.
Tirou todas as cordas que a amarravam,
Largou-se no abismo.

E eu estava ali do lado,
Segurando sua mão,
Sentindo tudo que eu estava fazendo.

Porque, mesmo que não tivesse sido intencional,
Quando a primeira palavra saiu daquela menina,
Tudo mudou de cor.

E era um arco-íris totalmente novo.
Um brilho incrível que não se vê em qualquer um.

E não posso negar meu medo,
Nem minha excitação.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nesses tempos de chuva.

A chuva mata e
o amor encharca.

Eram tempos tão bons
que sempre resolvem evaporar.

Mas que chova de novo!

Novos grãos renascem
Velhas árvores morrem
E os genes sempre ficam,
Você bem sabe.

Só desejaria que deleções ocorrecem com mais frequência na raça humana.

Criamos tantos mecanismos de defesa
Que impedem a nós mesmos transmutar-mos,
Nos jogarmos do penhasco
que nem a chuva.

E morrer, por quê não?

domingo, 4 de abril de 2010

Dîner en Ville

Eu sinto o sofejar de aromas no brilho dos seus olhos. Caminho até eles. Não estão ali pra mim, são seletivos, até torturantes. Aprisionado em cápsulas sépias que servem ao seu próprio propósito e se calam quanto ao lugar da chave. Às vezes sente-se um brisa de janelas abertas, acurtinadas. Criam pontes com postes iluminados atravessando o portal dourado, transcendendo o aqui e ali. Está na fluidez do cosmo. E assim, é praticamente impossível ver-te o tempo todo.